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Como muitos já sabem, voltamos de Buenos Aires no começo desse mês. Eu e Nino Quincampoix passamos dez dias em solo porteño, em um departamento alquilado na Recoleta, calle Rodriguez Peña, uma delícia. Aqui vai uma série de impressões que guardamos da cidade. Não se assustem com o tamanho dos textos e o entusiasmo latente em cada linha: Buenos Aires é mesmo tudo isso, memórias e imagens que esperamos revisitar em breve! Domingo, 23 de dezembro de 2007 Chegamos no dia 23, um domingo, à noite. Seguimos o conselho de trocar o dinheiro no câmbio do aeroporto, mas caímos em uma cilada: o primeiro câmbio que se vê no desembarque é a maior roubada! Pelo menos trocamos pouca quantidade. Amigos, anotem: esperem sair da área de desembarque e troquem no Banco de La Nación Argentina. A cotação é bem mais vantajosa! Passada essa primeira sensação chata de perder dinheiro, nos deparamos com a segunda tarefa da noite: optar entre o ônibus que tinham nos indicado ou um sujeito que tentava nos convencer de que táxi era mais jogo. Tudo bem que o próprio cara da companhia de ônibus indicou o táxi, mas sempre fica a suspeita, ainda mais vinda de um casal neurótico: e se o cara do ônibus estiver mancomunado com o cara do táxi? Okêi, resolvemos arriscar e entramos no carro do Leandro, um porteño muito simpático que nos deixou na porta de casa e foi contando sobre a cidade ao longo da viagem. Lição nº 1: não desconfie tanto de tudo. Bs As tem muitos taxistas picaretas, mas só pegamos um em toda a nossa estada. Em geral, mostrar que conhece a cidade e praticar o espanhol ajuda muito! Chegamos ao distinto bairro da Recoleta, cansados e morrendo de fome, mas ainda tivemos de esperar para pegar as chaves com o Ariel, o rapaz da empresa que alugou o apê. Meia hora depois do combinado, Ariel chegou de moto com as chaves e foi nos mostrar nossa casa de sueños. Um studio lindo, super charmoso, que recomendo pra todo mundo. Bom, depois de assinar o contrato e cuidar da parte burocrática toda, arrumamos as coisas e saímos para o primeiro reconhecimento de campo. A Recoleta é um bairro lindo, cheio de prédios antigos e cafés em todas as esquinas. Realmente, parece Paris. Ah, sim: é cheio de cocô de cachorro pelas calçadas, um verdadeiro campo minado. Foi lá que vi, pela primeira vez na vida, a figura dos paseadores de perros, jovens que têm como tarefa passear com os bichos dos outros, geralmente com uns seis de uma vez na coleira. Como chegamos em um domingo à noite próximo à festa de Natal, quase nada estava aberto no comércio. Mas descobrimos logo o point: perto do famoso Cemitério da Recoleta, tem um complexo de bares e restaurantes que fica aberto até a madrugada. Comemos uma massa deliciosa e tomamos vinho, barato e bom. Caminhamos muito pelas calles – só isso nos bastaria a viagem, dois flaneurs confessos - já meio alegres de vino e depois voltamos pra casa. Afinal, tinha sido só um aperitivo de Buenos Aires e já estávamos tão encantados! Guardamos nossos olhos, já que ainda havia longos dias pela frente. |
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