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Eu não desenho o que eu choro Eu não dou cambalhotas nem estrelinhas retas Eu não tenho a fórmula para fabricar estrelas Eu não guardo plantas nas mãos, nem raízes nos pés Eu não viajo para as Filipinas Eu não conheço um brechózinho intimista em Paris Eu não tenho sapatos fúcsia Eu não colori Nova York Eu não esquiei em Aspen nem em Bariloche Eu não acordo de bom humor Eu não sei um filme de trás pra frente Eu não fiz um filme Eu não flutuo degraus, eu não esqueço Eu não tenho um livro de rascunhos Eu não coleciono brinquedos Eu não sou moderna Eu sou uma foto sépia, lomo flash flicts Eu coleciono miniaturas e cartas amareladas Eu tenho um cuaderno rojo com memórias de gata Eu sinto os pés. Eu piso forte. Eu busco a terra. Eu caminho enquanto os olhos buscam as nuvens Eu monto filmes imaginários, raccord infinito Eu recordo. Eu danço com o que lembro e com o que esqueço Eu valso. Eu dou bom dia ao sol. Eu colori as casas de Olinda antes de vê-las Eu colori o que era antes de mim Eu guardo flocos de neve em envelopes lilases Eu já estive em Boa Viagem além do eu Eu águo flores como quem busca ser água Eu procuro a fórmula para fabricar estrelas Eu ensaio cambalhotas desde o dia em que nasci Eu tenho medo de quebrar o pescoço Eu choro o que escrevo |
| Nino Campos January 16, 2008 06:08 PM PST Que linda maneira de começar o ano! Nossos abismos secretos não fazem de nós pessoas incompletas - é preciso saber amar os nossos vazios. Margeando esses mesmos abismos crescem as flores selvagens de nossa alma. Procuremos sempre a fórmula das estrelas sem perder de vista o caminho que nos leva até elas! | ||
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