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17.1.08
Diário Porteño

Segunda, 24 de dezembro de 2007

 

Esse foi, sem dúvidas, o dia mais especial e mais mágico pra mim. Tudo estava fechado, mas conseguimos fazer compras no supermercado para garantir nossa pré-ceia natalina. Compramos pó de cappuccino, leite, pão, queijo, água, suco e outras coisinhas básicas de sobrevivência.(nota: fiquei surpresa, mas o cappuccino tal qual conhecemos no Brasil não é tão comum nos cafés porteños. Populares mesmo são o café, o café com leite e o chá com leite. Cappuccino italiano é beeem mais caro!!)

 

Deixamos as compras em casa e fomos sacando o movimento de um bairro super família que se preparava para a festa de Natal. Vimos os velhinhos super fofos andando na rua (a Recoleta tem muitos idosos e parece ser realmente um lugar ótimo para se morar na terceira idade, bem tranqüilo) ou fazendo compras nas vendinhas; vimos crianças com os pais e muitos turistas também.

 

A embalagem do cappuccino virou nossa árvore de Natal improvisada. Recortei no formato "aula de artes da 3ª série" e coloquei sobre um prato vermelho bonitão que estava escondido no armário. Voilá! Lindos e arrumados e com fome, resolvemos sair de casa e tentar achar algum restaurante aberto para a ceia.  Nosso plano inicial era ir pra Palermo. Andamos até a Av. Libertador, mas não passava nenhum táxi. Depois de muito esperar, mudamos a rota e resolvemos tentar a sorte nos bares perto do cemitério mesmo, que a gente sabia que estariam abertos.

 

Eis que no caminho, quando passávamos pela Plaza Libertad, ganhamos nosso maior presente de Natal: fomos encontrados por uma gatinha linda, que ziguezagueou entre os passos do Igor e quase o fez tropeçar. Vimos logo que se tratava de uma gata bem cuidada, mansa, porque ela não correu quando eu chamei. Era a coisa mais linda do mundo, pequenininha, de pêlo bonito e com uma coleirinha vermelha com sininho. Só que não havia nenhuma identificação. Foi amor à primeira vista. Tentamos achar o dono da gata ali por perto, na esperança de que ela tivesse se perdido. Depois de muito tentar, nada. Ninguém procurava por ela. Resolvemos, então, levá-la pra casa. A casa que já era nossa por coração.

 

Então foi isso. Passamos o Natal no melhor estilo família: eu, Igor e Amélie, a gata. Nessa altura, o que era pra ser uma "pré-ceia-engana-estômago" virou ceia oficial e o leite que havíamos comprado no mercado mais cedo foi todo pra gata. Quem se importa com cappuccino, afinal? Em pouco tempo, eu senti que toda a minha vida se resumia a encontrar o dono daquela gatita chiquita. Forte, né? Mas é isso. Quem é louco por bichos como eu – tenho três cachorros num apartamento – sabe do que eu estou falando. Ceiamos pão torrado com queijo e suco de laranja. Glamour absoluto, diz aê!

 

No dia seguinte, Amélie acordou com uma baita dor de barriga. Uh! Maldito Maurício de Souza, que faz a gente acreditar durante anos que gato toma leite, l-ó-g-i-c-o. A verdade, amigos, é que só o Mingau bebe leite e não passa mal. Lá fomos nós limpar o cocô da gata e tentar arrumar jornal na rua pra forrar a cozinha. Depois, saímos com ela no colo pra tentar encontrar el dueño. Perguntamos pra todos os porteiros da redondeza e nada, nenhuma notícia, ninguém conhecia. E lá foi Amélie de volta pra nossa casa, sem ração (tudo estava fechado) e ainda na base do leite (só fui descobrir a lenda quando voltei pra Brasília), pobrecita. Colocamos cartazes pela Plaza, mas ninguém entrou em contato.

 

Nessa altura, nossa rotina de viagem já tinha sido alterada pela gata. Saíamos preocupados em voltar pra saber se estava tudo bem, se ela tinha destruído o apê alugado, se estava melhor da dor de barriga. Estávamos irremediavelmente apaixonados pela Amélie, essa é a verdade. Eu já estava doida pra trazer a lindona pro Brasil, mas a burocracia era enorme e não havia tempo. Depois de uns cinco dias em busca do dono ou de qualquer pessoa legal que quisesse ficar com ela, acabamos deixando-a no Jardim Botânico. Mas aí eu já pulei muitos dias e muitas histórias porteñas. Voltemos ao dia 25. Antes, uma foto da Amélie, que eu espero ter sido adotada por um dono que a veja como a princesa que é!


Posted at 05:04 pm by danyproenca

 

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