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11.1.08
2008, o início

Eu não desenho o que eu choro

Eu não dou cambalhotas nem estrelinhas retas

Eu não tenho a fórmula para fabricar estrelas

Eu não guardo plantas nas mãos, nem raízes nos pés

Eu não viajo para as Filipinas

Eu não conheço um brechózinho intimista em Paris

Eu não tenho sapatos fúcsia

Eu não colori Nova York

Eu não esquiei em Aspen nem em Bariloche

Eu não acordo de bom humor

Eu não sei um filme de trás pra frente

Eu não fiz um filme

Eu não flutuo degraus, eu não esqueço

Eu não tenho um livro de rascunhos

Eu não coleciono brinquedos

Eu não sou moderna

 

 

Eu sou uma foto sépia, lomo flash flicts

Eu coleciono miniaturas e cartas amareladas

Eu tenho um cuaderno rojo com memórias de gata

Eu sinto os pés. Eu piso forte. Eu busco a terra.

Eu caminho enquanto os olhos buscam as nuvens

Eu monto filmes imaginários, raccord infinito

Eu recordo. Eu danço com o que lembro e com o que esqueço

Eu valso. Eu dou bom dia ao sol.

Eu colori as casas de Olinda antes de vê-las

Eu colori o que era antes de mim

Eu guardo flocos de neve em envelopes lilases

Eu já estive em Boa Viagem além do eu

Eu águo flores como quem busca ser água

Eu procuro a fórmula para fabricar estrelas

Eu ensaio cambalhotas desde o dia em que nasci

Eu tenho medo de quebrar o pescoço

Eu choro o que escrevo


Posted at 05:18 pm by danyproenca

Nino Campos
January 16, 2008   06:08 PM PST
 
Que linda maneira de começar o ano! Nossos abismos secretos não fazem de nós pessoas incompletas - é preciso saber amar os nossos vazios. Margeando esses mesmos abismos crescem as flores selvagens de nossa alma. Procuremos sempre a fórmula das estrelas sem perder de vista o caminho que nos leva até elas!
 

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