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18.3.08
Casi Razón

# 51

Nos fatiga más y más la poesía a medias, la poesia donde no se juega íntegramente el poeta, en todos los aspectos de la creación. La poesía a medias es el peor enemigo de la verdadeira poesía, como el hombre a medias es el mayor adversario del hombre. Tal vez ocurra lo mismo con todo cuanto es a medias, en relación con lo que es o trata de ser: Hasta el fracaso exige una integridad, especialmente en poesía.

Roberto Juarroz, em Casi Razón (Fragmentos Verticales, Decimocuarta Poesía Vertical)

Posted at 12:54 am by danyproenca
Diga lá!  

12.3.08
pérolas do jornalismo

Município receberá telecentro comunitário

Jornal Agora

12/03/2008 

Através de ofício enviado ao Prefeito José Vicente Ferrari, o deputado federal Eliseu Padilha (PMDB) está comunicando que o Município foi selecionado pelo Ministério das Comunicações para recebimento de um telecentro comunitário, em beneficio da população.

O telecentro é composto de computador-servidor, 10 computadores em rede, data show (projeto multimídia), roteador wireless, impressora a laser, central de monitoramento remoto (câmara de vídeo), 11 estabilizadores de voltagem, 11 mesas para computador, mesa para impressora, mesa do assistente, armário e 212 cadeiras multiuso.

Para o recebimento desse material, conforme estabelece o Ministério das Comunicações, a Prefeitura deverá disponibilizar espaço adequado para a instalação do telecentro, com um mínimo de 48m2 de área construída. 

Pérolas do jornalismo. Depois da leitura, fica a pergunta: que município vai ganhar um telecentro? Matérias que levam o leitor a dar um google no nome do prefeito para descobrir a cidade-lide são problemáticas...


Posted at 05:11 pm by danyproenca
Diga lá!  

10.3.08
cuadernos

Faxinando gavetas e velhos bloquinhos de jornalista, encontrei preciosas pausas da rotina "factual". Não me lembro de que livro vieram. Ficam assim, como respiros que chegaram sem remetente:

 § ...que a idéia de isolamento só pode ser experimentada durante o trajeto de um lugar a outro, isto é, quando não se está em lugar nenhum.

§ toda conversa é a continuação de outra mais antiga.

§ Um cemitério de horas passadas. 

Seguido das minhas notas insones: Para onde vão as horas passadas? Em que solo repousam? Dormem todas abraçadas ou espalham-se entre multidões de memórias? Têm um rosto ou tantos quanto cabem na infinidade de um segundo?

Papel com verso em branco - fim de um enquadrar de palavras, com possibilidade de nova história na sombra do que foi escrito.


Posted at 02:11 am by danyproenca
Diga lá!  

25.2.08
novo endereço

A partir de agora, o Poema Lunar funciona em novo endereço:

www.poemalunar.blogspot.com

A casa lá era mais arejada. Até os amigos se acostumarem, vou postando os textos nos dois sites. Daqui há um tempo, me mudo de vez. Portanto, atualizem o link! :)


Posted at 06:07 pm by danyproenca
Diga lá!  

20.2.08
E a velha pastora sai de cena...

Qual pedaço da minha alma se chama Mel? Com qual Danyella a Mel me fazia entrar em contato? Que Danyella se despediu de mim junto com a velha pastora, a velha poodle que dividiu 10 anos comigo? Como recuperar o pedaço de mim que se foi? São tantas perguntas, porque tudo agora é busca, tudo é desejo de ser água e dissolver o que sinto na infinitude do mundo. É que, perto de muita água, tudo é mesmo feliz. E eu, agora, sou essa ausência irreparável.  

Aprendi, por todos esses anos, a respeitar tua presença, silenciosa, de alcance silencioso pela casa inteira. Mel chegou quando eu tinha 13 anos. Veio como um presente dos céus, um sinal cósmico de que nós precisávamos nos encontrar no mundo. Um belo dia, minha mãe recebeu uma carta endereçada à casa errada. Quando foi devolver o envelope, se deparou com uma pequena poodle abricot, toda serelepe, que veio fazer festinha no portão. Foi amor à primeira vista.

Durante dias, minha mãe só falava da cachorrinha, de como havia se encantado por ela e de como pareceu recíproco. Cerca de uma semana depois, a Ester, então dona da Mel, tocou nossa campainha. De Mel e cuia. Disse que precisaria se desfazer dos cachorros e que seu marido queria dar a Mel, única filhote que restara da Julie, para um amigo do casal. Só que o coração dela mandava dar a cachorrinha para a minha mãe, não sabia bem o porquê.

Aceitamos de pronto e, a partir desse dia, nossa felicidade encheu a casa inteira. Eu estava no computador, conversando ("teclando") com a Gabi num ICQ da vida. Minha mãe abriu a porta do meu quarto e a Mel entrou, logo vasculhando tudo em volta e se aninhando nos meus pés. Ela ainda não se chamava Mel. Ganhou esse nome por conta da minha fase Spice Girls e pelo topete à la Melanie B, a Scary.

Desde então, Melanie passou a dividir a rotina com a gente. Nessa época, nossa outra cachorra, a Monalisa, teve várias crises epiléticas numa semana. Cogitou-se dar a Mel, devia estar deixando a outra agitada. E, de fato, deixava. Tomava a comida dela e brigava se ela passasse perto de um biscoito enterrado.

Mas o amor foi mais forte. E até a Mona passou a respeitar aquela figura espevitada, "trator", que tentava morder até pitt bull. A figura que dava um tapa na vasilha de comida quando não ia com a cara da ração. Ou que guardava um pão de queijo por dias, só pelo prazer de vigiá-lo e implicar com quem quer que passasse perto.

Mel chegou como um bebê, alguém mais frágil que eu, e envelheceu nesse meu curto espaço de 10 anos, em que deixei de ser uma menina fã de Spice Girls para virar uma mulher com um emprego, dita cidadã respeitável que ganha dois mil cruzeiros por mês. Foi tanto chão nesse intervalo e tudo mostra-se frágil agora.

Enquanto eu era transformada pela rotina e obrigações e descobertas, a Mel deixou de ser um filhote e virou minha irmã mais velha, a irmã que eu não tive. Aquela figura forte, que fica sentada na velha cadeira perto da porta, que dá o recado só pelo olhar. Aquela figura a quem pedimos a benção em silêncio antes de sair. A Mel virou minha avó. Enquanto eu virei esse rosto em 10 anos, virei esse intervalo, a Mel foi meu bebê, minha irmã e minha avó. Foi toda a natureza, todo o infinito, todo o tempo.

Eu queria estar dizendo tudo isso pra ela, tão frágil em seus últimos momentos de vida. Mas tenho certeza de que ela sabe de tudo. Sei que ela se lembrou, a cada segundo, do amor que construímos: ela parte da nossa família e da nossa alma una.

A você, Melzinha, que só trouxe beleza e força à minha vida; que me mostrou o valor da lealdade e do afeto irrestrito, obrigada! Você, agora, é nossa oração.


Posted at 06:42 pm by danyproenca
Diga lá!  

4.2.08
para arlecchino - notas que o carnaval traz

São impressões tão antigas que encontro dificuldade pra dizer o que está dito a cada segundo pelos meus olhos: é que sempre fomos. Sempre fomos, meu amor, desde que dona Teté correu de Sítio dos Nunes para a Serra Talhada, sempre fomos. Desde que um pequeno delicado nasceu na terra dos matadores. Desde que você e sua mãe foram abraçados por Brasília, um abraço desajeitado, cheio de quinas e ossos, daqueles que espetam. Somos tão antigos quanto a poeira dessa cidade. Somos desde que um tal José veio de São Paulo para cá, e encontrou uma tal Maria. Desde que, traçados irônicos os dessa Brasília, vocês foram morar na quadra da minha avô emprestada, presente de madrinha. Desde que nunca nos vimos. Somos a mesma brincadeira tímida, o mesmo verão televisão-palavras. O mesmo medo de escuro, medo de ficar sozinho na escola depois que todas as crianças iam embora, medo de que o ar não nos molhasse os dedos à noite, quando elas dormiam tão quietas. O mesmo olhar encantado diante da chuva na janela. Até o choro de felicidade vem de um lugar muito parecido, a mesma fonte, aquela que nos torna pequenos diante de tantas belezas do mundo. Quem sabe você não caminhava pelos bosques de superquadra enquanto eu andava de moletom lilás pelas ruas do Guará, soprando flores até que ganhassem o céu? Ou então enquanto eu media o tamanho da minha sombra no asfalto? Quem sabe você também não se perguntou por que ela estava sempre lá, e era impossível fugir? Quem sabe não inventou uma receita com leite ninho e chocolate no liquidificador, pra parecer milkshake? Acho que inventamos tudo isso, sem saber que inventávamos nosso próprio encontro. Porque eu miro seus olhos e vejo todas as minhas velhas imagens, coisas tão antigas que não sei se são recordos ou registros de antes, da terra, de estrelas, essa matéria de que somos feitos.


Posted at 02:33 pm by danyproenca
Comment (1)  

2.2.08
correspondências

Sem muito ânimo pra continuar o diário porteño agora, assim, de lógicacronológica de calendários. Sem muito ânimo pro carnaval, apesar da alma festeira. As ruas se enchem de orquestra e serpentina, mas me parece uma coisa que chega alheia, de fora pra dentro, como um esforço. Mas há sempre as máscaras.

O bloco passa na quadra ao lado e eu preparo meu corpo com as correspondências de Clarice. Em uma, ao então marido, escreveu das aventuras na fazenda e da impaciência, que tolices estaria dizendo? Ele respondeu, entre formalidades de diplomata:

Somente uma coisa me faria bem agora. Seria adormecer a cabeça no seu colo, você me dizendo bobagenzinhas gostosas pra eu esquecer a ruindade do mundo. Vou dormir pensando nisso.

Nossa correspondência começa agora, antes mesmo da máquina de escrever e da casa nova.Notícias da Chuva.


Posted at 04:26 pm by danyproenca
Diga lá!  

17.1.08
Diário Porteño

Segunda, 24 de dezembro de 2007

 

Esse foi, sem dúvidas, o dia mais especial e mais mágico pra mim. Tudo estava fechado, mas conseguimos fazer compras no supermercado para garantir nossa pré-ceia natalina. Compramos pó de cappuccino, leite, pão, queijo, água, suco e outras coisinhas básicas de sobrevivência.(nota: fiquei surpresa, mas o cappuccino tal qual conhecemos no Brasil não é tão comum nos cafés porteños. Populares mesmo são o café, o café com leite e o chá com leite. Cappuccino italiano é beeem mais caro!!)

 

Deixamos as compras em casa e fomos sacando o movimento de um bairro super família que se preparava para a festa de Natal. Vimos os velhinhos super fofos andando na rua (a Recoleta tem muitos idosos e parece ser realmente um lugar ótimo para se morar na terceira idade, bem tranqüilo) ou fazendo compras nas vendinhas; vimos crianças com os pais e muitos turistas também.

 

A embalagem do cappuccino virou nossa árvore de Natal improvisada. Recortei no formato "aula de artes da 3ª série" e coloquei sobre um prato vermelho bonitão que estava escondido no armário. Voilá! Lindos e arrumados e com fome, resolvemos sair de casa e tentar achar algum restaurante aberto para a ceia.  Nosso plano inicial era ir pra Palermo. Andamos até a Av. Libertador, mas não passava nenhum táxi. Depois de muito esperar, mudamos a rota e resolvemos tentar a sorte nos bares perto do cemitério mesmo, que a gente sabia que estariam abertos.

 

Eis que no caminho, quando passávamos pela Plaza Libertad, ganhamos nosso maior presente de Natal: fomos encontrados por uma gatinha linda, que ziguezagueou entre os passos do Igor e quase o fez tropeçar. Vimos logo que se tratava de uma gata bem cuidada, mansa, porque ela não correu quando eu chamei. Era a coisa mais linda do mundo, pequenininha, de pêlo bonito e com uma coleirinha vermelha com sininho. Só que não havia nenhuma identificação. Foi amor à primeira vista. Tentamos achar o dono da gata ali por perto, na esperança de que ela tivesse se perdido. Depois de muito tentar, nada. Ninguém procurava por ela. Resolvemos, então, levá-la pra casa. A casa que já era nossa por coração.

 

Então foi isso. Passamos o Natal no melhor estilo família: eu, Igor e Amélie, a gata. Nessa altura, o que era pra ser uma "pré-ceia-engana-estômago" virou ceia oficial e o leite que havíamos comprado no mercado mais cedo foi todo pra gata. Quem se importa com cappuccino, afinal? Em pouco tempo, eu senti que toda a minha vida se resumia a encontrar o dono daquela gatita chiquita. Forte, né? Mas é isso. Quem é louco por bichos como eu – tenho três cachorros num apartamento – sabe do que eu estou falando. Ceiamos pão torrado com queijo e suco de laranja. Glamour absoluto, diz aê!

 

No dia seguinte, Amélie acordou com uma baita dor de barriga. Uh! Maldito Maurício de Souza, que faz a gente acreditar durante anos que gato toma leite, l-ó-g-i-c-o. A verdade, amigos, é que só o Mingau bebe leite e não passa mal. Lá fomos nós limpar o cocô da gata e tentar arrumar jornal na rua pra forrar a cozinha. Depois, saímos com ela no colo pra tentar encontrar el dueño. Perguntamos pra todos os porteiros da redondeza e nada, nenhuma notícia, ninguém conhecia. E lá foi Amélie de volta pra nossa casa, sem ração (tudo estava fechado) e ainda na base do leite (só fui descobrir a lenda quando voltei pra Brasília), pobrecita. Colocamos cartazes pela Plaza, mas ninguém entrou em contato.

 

Nessa altura, nossa rotina de viagem já tinha sido alterada pela gata. Saíamos preocupados em voltar pra saber se estava tudo bem, se ela tinha destruído o apê alugado, se estava melhor da dor de barriga. Estávamos irremediavelmente apaixonados pela Amélie, essa é a verdade. Eu já estava doida pra trazer a lindona pro Brasil, mas a burocracia era enorme e não havia tempo. Depois de uns cinco dias em busca do dono ou de qualquer pessoa legal que quisesse ficar com ela, acabamos deixando-a no Jardim Botânico. Mas aí eu já pulei muitos dias e muitas histórias porteñas. Voltemos ao dia 25. Antes, uma foto da Amélie, que eu espero ter sido adotada por um dono que a veja como a princesa que é!


Posted at 05:04 pm by danyproenca
Diga lá!  

Diário Porteño

Como muitos já sabem, voltamos de Buenos Aires no começo desse mês. Eu e Nino Quincampoix passamos dez dias em solo porteño, em um departamento alquilado na Recoleta, calle Rodriguez Peña, uma delícia. Aqui vai uma série de impressões que guardamos da cidade. Não se assustem com o tamanho dos textos e o entusiasmo latente em cada linha: Buenos Aires é mesmo tudo isso, memórias e imagens que esperamos revisitar em breve!

 

 

Domingo, 23 de dezembro de 2007

 

Chegamos no dia 23, um domingo, à noite. Seguimos o conselho de trocar o dinheiro no câmbio do aeroporto, mas caímos em uma cilada: o primeiro câmbio que se vê no desembarque é a maior roubada! Pelo menos trocamos pouca quantidade. Amigos, anotem: esperem sair da área de desembarque e troquem no Banco de La Nación Argentina. A cotação é bem mais vantajosa!

 

Passada essa primeira sensação chata de perder dinheiro, nos deparamos com a segunda tarefa da noite: optar entre o ônibus que tinham nos indicado ou um sujeito que tentava nos convencer de que táxi era mais jogo. Tudo bem que o próprio cara da companhia de ônibus indicou o táxi, mas sempre fica a suspeita, ainda mais vinda de um casal neurótico: e se o cara do ônibus estiver mancomunado com o cara do táxi? Okêi, resolvemos arriscar e entramos no carro do Leandro, um porteño muito simpático que nos deixou na porta de casa e foi contando sobre a cidade ao longo da viagem. Lição nº 1: não desconfie tanto de tudo. Bs As tem muitos taxistas picaretas, mas só pegamos um em toda a nossa estada. Em geral, mostrar que conhece a cidade e praticar o espanhol ajuda muito!

 

Chegamos ao distinto bairro da Recoleta, cansados e morrendo de fome, mas ainda tivemos de esperar para pegar as chaves com o Ariel, o rapaz da empresa que alugou o apê. Meia hora depois do combinado, Ariel chegou de moto com as chaves e foi nos mostrar nossa casa de sueños. Um studio lindo, super charmoso, que recomendo pra todo mundo. Bom, depois de assinar o contrato e cuidar da parte burocrática toda, arrumamos as coisas e saímos para o primeiro reconhecimento de campo.

 

A Recoleta é um bairro lindo, cheio de prédios antigos e cafés em todas as esquinas. Realmente, parece Paris. Ah, sim: é cheio de cocô de cachorro pelas calçadas, um verdadeiro campo minado. Foi lá que vi, pela primeira vez na vida, a figura dos  paseadores de perros, jovens que têm como tarefa passear com os bichos dos outros, geralmente com uns seis de uma vez na coleira.

 

Como chegamos em um domingo à noite próximo à festa de Natal, quase nada estava aberto no comércio. Mas descobrimos logo o point: perto do famoso Cemitério da Recoleta, tem um complexo de bares e restaurantes que fica aberto até a madrugada. Comemos uma massa deliciosa e tomamos vinho, barato e bom. Caminhamos muito pelas calles – só isso nos bastaria a viagem, dois flaneurs confessos -  já meio alegres de vino e depois voltamos pra casa. Afinal, tinha sido só um aperitivo de Buenos Aires e já estávamos tão encantados! Guardamos nossos olhos, já que ainda havia longos dias pela frente.


Posted at 04:53 pm by danyproenca
Diga lá!  

11.1.08
2008, o início

Eu não desenho o que eu choro

Eu não dou cambalhotas nem estrelinhas retas

Eu não tenho a fórmula para fabricar estrelas

Eu não guardo plantas nas mãos, nem raízes nos pés

Eu não viajo para as Filipinas

Eu não conheço um brechózinho intimista em Paris

Eu não tenho sapatos fúcsia

Eu não colori Nova York

Eu não esquiei em Aspen nem em Bariloche

Eu não acordo de bom humor

Eu não sei um filme de trás pra frente

Eu não fiz um filme

Eu não flutuo degraus, eu não esqueço

Eu não tenho um livro de rascunhos

Eu não coleciono brinquedos

Eu não sou moderna

 

 

Eu sou uma foto sépia, lomo flash flicts

Eu coleciono miniaturas e cartas amareladas

Eu tenho um cuaderno rojo com memórias de gata

Eu sinto os pés. Eu piso forte. Eu busco a terra.

Eu caminho enquanto os olhos buscam as nuvens

Eu monto filmes imaginários, raccord infinito

Eu recordo. Eu danço com o que lembro e com o que esqueço

Eu valso. Eu dou bom dia ao sol.

Eu colori as casas de Olinda antes de vê-las

Eu colori o que era antes de mim

Eu guardo flocos de neve em envelopes lilases

Eu já estive em Boa Viagem além do eu

Eu águo flores como quem busca ser água

Eu procuro a fórmula para fabricar estrelas

Eu ensaio cambalhotas desde o dia em que nasci

Eu tenho medo de quebrar o pescoço

Eu choro o que escrevo


Posted at 05:18 pm by danyproenca
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